Desde a estreia de “Casos de Família” (SBT), em 2004, sempre pairam
algumas dúvidas sobre a veracidade das histórias apresentadas no palco. A
desconfiança, no entanto, cai por terra quando Christina é perguntada
sobre o assunto. “Fico p... da vida quando dizem que é armação. Nossa
equipe rala para caramba para ir atrás das histórias”, defende-se a
apresentadora, há três anos na função. “Não sei como funciona lá fora (o
programa é um formato comprado da TV peruana), mas aqui é para valer.
Não ia dar a cara para bater falando sobre isso se não fosse de
verdade.”
Regalias - Quem vai à caça dos personagens é um batalhão de 30
estagiários. São eles quem vão a regiões carentes da cidade atrás de
personagens que se enquadram em temas variados. Para convencê-los a
falar sobre seus dramas na TV, um pequeno arsenal de regalias:
tratamento dentário grátis, um cachê de R$ 80 por dia, além de
maquiagem, cabelo e figurino.
Um carro da emissora ainda busca esses personagens e os deixa em suas
casas. Além do dia gravação, os convidados precisam ir ao SBT antes,
para serem entrevistados pelos produtores – é nessa hora que eles
direcionam como eles devem se portar no palco. Christina acredita,
porém, que os motivos que os fazem aceitar têm mais fundo psicológico.
“Independentemente da classe social, as pessoas são vaidosas. Elas
querem contar sobre suas vidas, conhecer o SBT.”
Antes de entrar no ar, Christina recebe uma espécie de roteiro do
programa. Lá, estão as histórias dos participantes de cada caso
divididas como se fossem falas – Christina faz questão de mostrar os
papéis à reportagem. Na hora da gravação, no entanto, a conversa segue
outro rumo. A história do marido traído, por exemplo, virou um bate-boca
sobre dinheiro. Não há cortes. É como se o programa fosse feito ao
vivo. Depois, por exigência da classificação etária, a edição só coloca
tarjas ou intervenções sonoras se algum convidado partir para briga ou
soltar palavrões. “É um show. Tenho de saber quais os convidados são
mais desenvoltos e explorá-los mais”, admite ela, que ainda conta com
uma ajuda: a da plateia. “São parte fundamental. Às vezes eles fazem
algum comentário só para pôr pilha.”
“Casos de Família” ainda não dá sinais de desgate. Alcança média de 6
pontos, numa relação custo-benefício altíssima, “O programa é barato. E a
gente chega a faturar R$ 1 milhão por mês”, conta. A julgar pelos
dados, a atração terá vida longa.
Diário de São Paulo
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